domingo, 3 de junho de 2007

À sua espera

Sinto saudades de você. Quando você está longe, parece que algo fica incompleto. Tudo fica mais calmo e silencioso. Consigo até respirar normalmente. Isso até seria bom se sua presença já não me tivesse transformado em um eterno apaixonado, dependente de teus atos, eufórico através deles.
Entre nossas brigas, desavenças, desacordos, cabem poucas certezas. A verdade: não vivemos um sem o outro. Entre nossos méritos, grandes feitos, tudo o que juntos conquistamos, cabem poucas certezas. Mas acredite: nós nos amamos.
Entre a razão e a loucura, existe o que pouco dura. Mas mudemos de assunto. Isso não cabe a mim, nem a você. Quando você está aqui, o nosso tempo é precioso. São 90 minutos de um jogo. Um jogo que juntos não iremos perder.
Sobre tuas três cores, mora o maior dos amores, os maiores temores e a mais antiga fé. A minha e a sua, duas fés que se completam. Duas fés que se fazem uma. E se lhe chamam de imortal, Tricolor de tantas glórias, eu me orgulho de ter ajudado a escrever essa linda história.
Ô, Grêmio... sinto saudades de você. Quando você está longe, parece que algo fica incompleto. Mas vai, viaja e traga para casa o mesmo orgulho que tinha quando saiu. Eu estarei à sua espera. Como sempre estive. Como sempre estarei. Talvez, mais tarde, lá do Japão, eu lhe veja chegando. Troféu em mãos, orgulho no rosto. Pode ir. Eu deixo. Você já esteve lá, prometeu que ia voltar e voltou. Monumental, eterno e imortal.
Aos que olham de fora essa relação de amor, parecemos chatos, repetitivos e cheios de nós mesmos. Mas o amor é assim, e só quem ama entende. Talvez, muitos até falem desse texto, mas tudo bem, eu não me importo. Esse é um diálogo entre eu e você. E o que quero dizer é que pode ir. Vou estar com saudades, mas vou estar com você.
E quando voltar, eu estarei aqui. Eu estarei à sua espera. Como sempre estive. Como sempre estarei.
Por Felipe Sandrin

domingo, 27 de maio de 2007

Você foi o Grêmio

Sentei em minha cama e fiquei a pensar: o que esqueci de fazer na semana passada para ter causado a derrota do Grêmio? Após muito divagar, me vesti de acordo com outras vezes que havíamos ganhado. Estava frio, mas considerei isso um sacrifício. Fechei os olhos, pedi forças e deixei nas mãos de Deus, na fé dessa tal imortalidade.
No cobrança de falta que o Tcheco ajeitou, lembrei-me do meu texto anterior para esse mesmo site da Final Sports. Eu busquei fé, acreditei ser fundamental. E fui. Caprichosa, a bola quicou na frente do goleiro, quase que magicamente, e entrou. Eu desviei aquela bola.
Quando Sandro parecia bloqueado em frente à retranca uruguaia, seu estilo raçudo recomendava um chute ou algo não tão ousado. Eu pedi classe. Vi o zagueiro Teco entrando livre. E foi através de meus olhos que o Sandro também enxergou. Com elegância, fez do Teco atacante, matador. Esse, juiz nenhum anularia.
No segundo tempo, senti que seria posto ao terceiro teste. Eu teria de afastar uma bola certeira. Enquanto alguns abaixavam a cabeça, a minha, erguida, seria a força para, milimetricamente, salvar o gol. Um chute certeiro, e eu vi o tempo passar lento, a bola indo no gol. Soprei com toda força, olhos fixos na esfera que rasgava o ar. A trave. Fui eu que tirei aquela bola.
Admito. Quando chegou o fim da partida, achei que não fosse agüentar os pênaltis. Olhei para o lado e vi uma legião de gremistas. Força, fé e união. Novamente, me fiz Grêmio. Invencível, vibrante e com o amor de uma nação em três cores ao meu lado. De mãos dadas comigo. E todos juntos dentro daquele gol. Aquela bola não ia entrar.
"Pula, Saja! Só precisa pular. Estamos todos com você".
Nesta quarta, cada um de nós foi defesa, meio e ataque. A vitória passou por nossas mãos, corações e vozes. Sei que, assim como eu, você também sentiu isso. Nesta quarta, mais uma vez, VOCÊ foi o Grêmio. E seu nome já está inscrito lá, num lugar onde apenas gremistas assinam.
O livro dessa tal IMORTALIDADE.
Texto feito por Felipe Sandrin.